Inchaço da máquina, gasto recorde com pessoal e dívida crescente marcam primeiro ano da gestão Douglas Melo
Inchaço da máquina, gasto recorde com pessoal e dívidas marcam 1º ano da gestão Douglas Melo
Os números oficiais enviados pela própria Prefeitura de Sete Lagoas ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e ao Tesouro Nacional acendem um sinal de alerta sobre os rumos da atual administração municipal.
A análise dos relatórios revela um cenário preocupante já no primeiro ano de governo: aumento expressivo no número de servidores, crescimento acelerado da despesa com pessoal e disparada nos chamados "Restos a Pagar Processados" (RPP). Para especialistas em contas públicas, a combinação desses fatores pode representar risco fiscal se não houver correções urgentes.
Máquina pública maior e mais cara
De acordo com os dados oficiais informados ao TCE-MG, o município criou 527 novos cargos apenas no primeiro ano da gestão. Em dezembro de 2025, a folha registrava:
- 9.753 nomes relacionados a cargos
- 9.607 servidores efetivamente vinculados
Entre as variações mais significativas estão:
- Cuidador Infantil: +232
- Professor de Educação Básica: +250
- Estagiário: +43
- Médico: –57 (redução que pode indicar avanço da terceirização na área da saúde)
Embora a ampliação em áreas como educação possa ser justificada pela demanda, chama atenção a redução de médicos efetivos, o que levanta questionamentos sobre a política de contratação e a possível substituição por serviços terceirizados, muitas vezes mais caros a médio prazo. Além disso, a Saúde de Sete Lagoas é alvo de denúncia por contratar especialistas terceirizados mas, na verdade, o serviço ser prestado por generalistas no Hospital Municipal.
Despesa com pessoal ultrapassa limite prudencial
O impacto nas contas públicas é evidente. A despesa com pessoal saltou de R$ 615.729.666,30 para R$ 703.366.282,98, um crescimento superior a 14% em apenas um ano. O índice de despesa com pessoal atingiu 51,56% da Receita Corrente Líquida (RCL), ultrapassando o chamado limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, fixado em 51,30% (95% do limite legal).
Na prática, quando esse patamar é superado, o município pode enfrentar uma série de restrições, como proibição de criar novos cargos, dificuldade para conceder reajustes e limitações para novas contratações. Ou seja, a própria expansão promovida pela gestão pode acabar engessando a administração nos próximos anos.
Dívida cresce mesmo após superávit
Outro dado que preocupa é o volume de Restos a Pagar Processados (RPP), que são despesas referentes a serviços já prestados ou materiais já entregues, mas ainda não pagos. Segundo os números oficiais, o valor chega a R$ 128 milhões acumulados em apenas um ano.
O cenário chama ainda mais atenção porque, na transição de 2024 para 2025, o então prefeito Duílio de Castro afirmou que o município deixava um superávit estimado em cerca de R$ 200 milhões.
A pergunta que fica é: como uma prefeitura que teria iniciado o mandato com saldo positivo significativo chega ao fim do primeiro ano com crescimento acelerado de despesas, aumento da folha e mais de R$ 128 milhões em contas empenhadas e não pagas?
Sinal de alerta
Os dados são oficiais, encaminhados aos órgãos de controle. Não se trata de narrativa política, mas de números registrados nos sistemas do próprio poder público. O cenário indica falta de planejamento e expansão acelerada da máquina administrativa sem a devida sustentabilidade fiscal. Caso o ritmo se mantenha, a gestão poderá enfrentar dificuldades não apenas legais, mas financeiras, afetando investimentos, serviços e a capacidade de resposta do município nos próximos anos.
A discussão agora deixa de ser política e passa a ser matemática: as contas vão fechar? Se sim, quando? Em resumo: Maior orçamento da história: R$ 1,36 bi. Mesmo assim: folha 14% maior, 500 pessoas a mais, restos a pagar de R$ 23 mi para R$ 128 mi. Gastos acima do limite de responsabilidade fiscal. E a solução? Empréstimo de quase R$ 500 milhões. Sete Lagoas precisa de gestão responsável.
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