ATÉ QUANDO ESSA NOVELA? Outra greve do transporte público expõe nova crise na gestão Douglas Melo
ATÉ QUANDO ESSA NOVELA? Outra greve do transporte público expõe nova crise na gestão Douglas Melo
A ameaça de uma nova paralisação do transporte coletivo em Sete Lagoas escancara mais uma vez o cenário de desorganização e falta de articulação da gestão do prefeito Douglas Melo diante de um dos serviços mais essenciais para a população de Sete Lagoas.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (26), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sete Lagoas (SINTTROSET) informou que a greve dos funcionários da Turi, suspensa temporariamente por determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-3), poderá ser retomada a qualquer momento a partir da próxima segunda-feira, 1º de junho.
Segundo o sindicato, os 30 dias concedidos pela Justiça para negociação entre trabalhadores, empresa e Prefeitura não resultaram em qualquer avanço concreto. A entidade afirmou que o processo foi marcado pela “falta de compromisso e postura adequada por parte dos responsáveis”.
Nos bastidores, a avaliação de trabalhadores é de que o Executivo municipal falhou em conduzir as negociações e permitiu que a crise se agravasse. Enquanto motoristas, cobradores e usuários aguardavam uma solução, reuniões aconteceram sem resultados efetivos.
O sindicato afirmou que houve duas reuniões entre a Prefeitura e a empresa Turi, mas “sem nada positivo” para os trabalhadores. Uma nova audiência no TRT-3 está marcada justamente para o dia 1º de junho, mesma data em que a greve pode ser retomada.
Crise anunciada
O problema no transporte público municipal não começou agora. A greve original teve início em 22 de abril, após o fracasso das negociações salariais iniciadas ainda em janeiro. Durante três dias, Sete Lagoas enfrentou transtornos, atrasos e dificuldades de deslocamento, afetando principalmente trabalhadores e estudantes que dependem exclusivamente dos ônibus.
Na ocasião, a Prefeitura correu para judicializar o conflito e conseguiu uma liminar obrigando a empresa a instaurar o dissídio coletivo. O movimento chegou a gerar expectativa de solução após uma primeira reunião considerada “positiva” pelo sindicato. Entre as promessas discutidas estava a possibilidade de o subsídio planejado pelo município ser direcionado aos funcionários da Turi. Mais de um mês depois, porém, nenhuma solução definitiva apareceu.
Intervenção parcial aumenta desgaste
Em meio à tensão trabalhista, a própria Prefeitura anunciou nesta semana uma intervenção parcial administrativa na Câmara de Compensação Tarifária (CCT), estrutura gerida pela Turi. A medida foi tomada após relatório da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana apontar indícios de irregularidades e descumprimento contratual.
A decisão expôs ainda mais o desgaste da relação entre município e concessionária e levantou questionamentos sobre a fiscalização exercida pela administração municipal durante a atual administração, demonstrando claramente falta de planejamento e incapacidade de antecipar problemas que vinham sendo denunciados há meses por trabalhadores e usuários do sistema.
Enquanto Prefeitura, empresa e sindicato seguem sem consenso, quem paga a conta continua sendo a população de Sete Lagoas, que convive diariamente com ônibus lotados, atrasos, reclamações sobre a qualidade do serviço e agora a ameaça concreta de uma nova paralisação total do transporte coletivo.
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