Tempo / Clima

Plantão Regional O Regional

LADEIRA ABAIXO: em crise financeira, Prefeitura de Sete Lagoas inicia demissões e corre risco de atrasar salários

LADEIRA ABAIXO: em crise financeira, Prefeitura de Sete Lagoas inicia demissões e corre risco de atr

Uma grave crise financeira bate à porta da Prefeitura de Sete Lagoas nesse final de ano, resultado dos gastos desenfreados da gestão Douglas Melo e da queda na arrecadação municipal. Segundo vereadores de oposição na Câmara, são mais de 500 cargos comissionados a mais inflando a máquina pública. 

Mas quem começou a pagar pelo rombo foi exatamente o lado mais fraco da corda: nesta semana tiveram início os cortes de pessoal, porém, daqueles que ganham salários menores, como mães atípicas que trabalham 20 horas semanais na Secretaria Municipal de Saúde, pois precisam do tempo para cuidar de seus filhos especiais. Algumas delas estiveram na Câmara Municipal esta semana protestando.

Elas denunciaram demissões de profissionais contratadas que são responsáveis pelo cuidado de filhos com deficiência e outras condições que exigem acompanhamento especializado. Durante a sessão, as trabalhadoras pediram apoio dos vereadores para tentar reverter os desligamentos e garantir a permanência nos empregos.

A manifestação foi conduzida por Thalita da Silva, servidora contratada que utiliza a jornada de trabalho reduzida para conciliar as atividades profissionais com os cuidados da filha, diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA) e outras comorbidades. Segundo ela, três mães atípicas já teriam sido desligadas do Hospital Municipal, e outras profissionais temem perder os empregos nos próximos meses.

Durante o pronunciamento, Thalita afirmou que o salário é fundamental para custear medicamentos, consultas e terapias que, segundo seu relato, não estão disponíveis de forma suficiente pela rede pública. Ela também destacou as dificuldades enfrentadas por mães solo que dependem exclusivamente da renda do trabalho para sustentar a família e garantir o acompanhamento dos filhos.

A principal reivindicação apresentada na tribuna foi o esclarecimento dos critérios utilizados pela administração municipal para dispensar as profissionais. De acordo com Thalita, algumas trabalhadoras participaram de processos seletivos, entregaram a documentação exigida e tiveram os contratos renovados recentemente. Mesmo assim, teriam sido surpreendidas com os desligamentos.

Uma das profissionais que se manifestaram durante a sessão foi Viviane, que afirmou ter sido demitida na véspera da reunião. Segundo ela, o contrato havia sido renovado em junho deste ano, e a justificativa apresentada para a dispensa foi o corte de gastos.

As trabalhadoras também relataram preocupação com as condições de atendimento no Hospital Municipal. Segundo os depoimentos apresentados aos vereadores, a equipe enfrenta períodos de sobrecarga, com falta de profissionais em determinados plantões e necessidade de reorganizar as atividades para atender os pacientes.

Vereadores
A situação provocou manifestações de diferentes vereadores, que defenderam a apuração das denúncias e a busca por alternativas para evitar que as trabalhadoras percam suas fontes de renda. Parlamentares também questionaram se a redução de despesas poderia ser realizada por meio de outras medidas, incluindo a revisão de gastos com cargos de maior remuneração, antes de atingir profissionais que atuam diretamente no atendimento à população. Até vereadores da base do prefeito protestaram.

Prefeitura aperta o cinto
Reconhecendo a grave crise financeira, a Prefeitura publicou no Diário Oficial do Município (DOM) desta terça-feira (20) um decreto que estabelece as regras para o encerramento do exercício financeiro de 2026. Duas comissões, para contenção de gastos e para acompanhar o cumprimento de índices de aplicações de recursos em áreas como saúde e educação, foram criadas.

A Comissão de Gastos do Município, criada pelo decreto, terá poder de autorizar ou vetar gastos pretendidos pelos diversos órgãos e unidades orçamentárias. Todas os pedidos de compras e serviços feitos pela administração direta deverão passar por análise neste órgão. Ou seja: vão cortar gastos, prejudicar compras de itens nas áreas da saúde e educação e demitir mais servidores.

Compartilhe no Whatsapp: Clique aqui!


Participe da comunidade do Plantão Regional 24 horas no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular.  Clique aqui e se inscreva.